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NÃO PÁRA, SIGLA, SIGLA!

NÃO PÁRA, SIGLA, SIGLA!

 Sigla por aqui! Por aqui é o caminho, ou deverei dizer: sigla até ao atalho, abrevie o seu esforço, e uma sensação de agilidade garanta, tanto nos dedos (poupa na escrita) como na garganta (poupa na fala); seja como for, poupa e poupa mesmo, e este plano de poupança é infalível, sem juros, entradas, TAEG´s, TAN´s, ou essas tangas que deixam um tipo, verdadeiramente, de tanga.
 A siglar é que tanta gente se entende hoje em dia. No fabuloso mundo ocidental os DPF´s, os DO´s, os DRH´S, os CA´s , os CO´s ou os CU´s  , embelezam as portas dos gabinetes, e dão pompa aos organigramas estampados em vitrines. Até as casas de banho são sigladas com um espampanante WC e raramente, ou quase nunca, assinaladas como lavabos ou, simplesmente, com o que elas realmente são: casas de banho.
 Tudo o que não seja comunicar em formato reduzido já se torna estranho, quase um léxico extraterrestre. Ora como sempre gostei da pinta do ET (cá está, sigla) é, então, com este Personal Computer, que faço chegar a mensagem à Word Wide Web, por via de um HyperText Transfer Protocol. Se a quiseres mostrar noutras polegadas, sugiro que ligues o computador a um Liquid Cristal Display, através de um cabo Universal Serial Bus. E podes fazê-lo, deves fazê-lo, e faz mesmo, ao som do Compact Disc dos “Cavalos de Corrida “ dos Ultra High Frequency. Sim, é verdade, soa um bocadinho a nerd, mas é normal; estamos programados para siglar a toda hora, e não há tempo para dar tempo a tanta palavra junta. O imediatismo do consumo começa na emissão, e cabe aos transmissores abrirem espaços nas defesas neurológicas dos recetores, para colocarem mais e mais informação; tudo feito em transições rápidas, ao primeiro toque, de sigla para sigla. Vivemos assim, uma vida abreviada.
 Enquanto siglamos tudo, ou somos intimados a siglar mais alguma coisa, os governos que nos desgovernam vão dizendo IS ao IRS; e tu perguntas: IMI? E a ti não calha nada. Caramba, é preciso ter ASAE! Já nos pregaram tantos PREC´s nas mãos, e riem, continuam a rir, como ratos maquiavélicos, velhacos escondidos com o rabo de fora: IRC! IRC! IRC! IRC!. E tu, sim tu, responde-lhes à letra. Vá lá, sem medos. Faz comigo, pateta: IUC IUC IUC IUC! É o melhor remédio para esquecer tanta patetice junta…e filha plutice declarada !
Post-Scriptum: nada de especial! Só para saber se leram até ao fim.

RUI MIGUEL MENDONÇA

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